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A importância das farmácias e do profissional farmacêutico


Nas últimas décadas, os medicamentos têm contribuído para a eficiência dos sistemas de saúde por se revelarem um meio custo-efetivo para a redução da carga das doenças e mortalidade, promovendo a melhoria da qualidade de vida individual.

Um colega médico recentemente me disse algo com o quê eu não poderia deixar de concordar: “Os medicamentos acrescentam não só anos à vida, mas também vida aos anos”.

Contudo, ampla evidência internacional sugere que existe um potencial não aproveitado no investimento que se faz anualmente em medicamentos. Por exemplo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 50% dos cidadãos do mundo não tomam corretamente seus medicamentos, por diversas razões.

Ainda de acordo com a OMS, seria possível poupar cerca de 370 bilhões de euros através do Uso Responsável do Medicamento - sendo que esse valor corresponde a cerca de 8% da despesa mundial em saúde, que é ligada a custos de saúde evitáveis, com consequente impacto nos valores de internações hospitalares, morbidade e mortalidade.

De fato, há inúmeros exemplos da importância das políticas públicas de acesso a medicamentos para a saúde da população e a gestão governamental, podendo citarmos, no Brasil, o Programa Farmácia Popular.

Estudos de avaliação de impacto, tais como o realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada Expediente - IPEA, têm demonstrado a efetividade do Programa Farmácia Popular na redução de internações e óbitos por doenças crônicas.

Isso nos leva a reforçar a importância das farmácias e dos farmacêuticos na promoção e no pleno acesso à saúde, previsto pela nossa Constituição como um direito fundamental.

Estes dois atores, em conjunto, são essenciais para garantir o acesso do cidadão ao medicamento correto, na dose adequada à sua necessidade individual e no período de tempo indicado.

A farmácia é uma porta de acesso primário à saúde em nosso país, sendo o farmacêutico procurado, muitas vezes, antes de um serviço hospitalar. Dessa maneira, o farmacêutico, dentro de suas habilitações e possibilidades, deve estar preparado para atuar de maneira adequada, executando a atenção farmacêutica sempre a favor do paciente.

Por toda evidência, consideramos essencial que as ações e propostas governamentais estimulem o desenvolvimento e incremento do segmento farmacêutico, visto que os reflexos positivos vão muito além do aspecto empresarial. Sistemas de saúde eficientes estão intrinsicamente conectados com farmácias e farmacêuticos, agentes fundamentais em toda política pública que objetive tutelar e fomentar o acesso à saúde.

Rafael Oliveira Espinhel