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Novembro Azul – Um mês para conhecer a próstata por dentro

Por: Celso Arnaldo Araujo

Novembro Azul é o mês do câncer de próstata – campanha que visa divulgar uma doença exclusivamente masculina que, Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, terá cerca de 72 mil casos este ano no país, com cerca de 18 mil mortes, ou 48 óbitos por dia, aumento de 21% em dez anos. Mas o crescimento da próstata, mesmo em estado benigno, também pode afetar a qualidade de vida dos homens. E as farmácias precisam conhecer detalhes dessa enigmática glândula para orientar e atender clientes em busca de informação ou alívio.

Por que enigmática? Em seu estado normal, ela não pesa mais do que 20 gramas – mas pode chegar a 300, em casos extremos da chamada Hiperplasia Benigna, que, como se verá adiante, tem pontos de contato com a farmácia. A função da próstata tem a ver exclusivamente com o sistema de fecundação masculino. E no momento – a terceira idade – em que o homem deixa para trás a fase de reprodução, ela começa a crescer em vez de atrofiar, como seria lógico. Na maioria dos casos, esse crescimento não tem um caráter maligno.

É a chamada Hiperplasia Prostática Benigna, que pode se tornar um tormento para os homens na hora de urinar. Explica o Dr. Marcos Dall’Oglio, especialista em Urologia Oncológica e Cirurgia Robótica e Professor Associado da Faculdade de Medicina da USP: “Esse crescimento da próstata se deve a alterações hormonais, sobretudo da testosterona, e a processos inflamatórios crônicos. Esses dois elementos participam da gênese do crescimento quando, paradoxalmente, a próstata deveria se atrofiar, já que a tendência é o homem, depois dos 50, perder seu caráter reprodutivo”. Esse crescimento benigno da próstata é tão frequente que as prateleiras das farmácias abrigam hoje diversos medicamentos capazes de reduzir o volume prostático e suas desagradáveis consequências.

Evidentemente, os tumores malignos – objetivo principal do Novembro Azul – preocupam muito mais. Diz o Dr. Marcos: “Quase 90% dos homens terá, a certa altura da vida, traços de hiperplasia benigna, ao passo que o câncer atingirá um em cada seis homens – só perde, entre os homens, para o câncer de pele. Diante desses números, sempre paira a preocupação de que a próstata pode vir a adoecer”. Existe algo que o homem possa fazer para evitar os males da próstata?

*A versão maligna, evidentemente, é a que mais preocupa nesse crescimento – e é o principal objetivo do Novembro Azul. Quanto mais cedo for detectada, maiores as chances de cura. Várias técnicas cirúrgicas e quimioterápicas têm sido desenvolvidas para abordar o câncer prostático. Ultimamente, a cirurgia robótica, na qual o Dr. Marcos se especializou e se tornou referência nacional, tem sido a técnica mais eficiente. O robô cirúrgico aborda a próstata com grande precisão e melhores resultados. Mas se o tumor for detectado precocemente, e o paciente for idoso, eventualmente pode-se até dispensar a cirurgia, exigindo, em contrapartida, a chamada “vigilância ativa”- um acompanhamento permanente da próstata por meio de exames e testes regulares. Mais um motivo para valorizar os propósitos do Novembro Azul.

*As farmácias também podem colaborar com os clientes que se preocupam com a detecção inteligente do câncer de próstata através da oferta do teste rápido de PSA – um antígeno prostático cuja dosagem no sangue pode ser um parâmetro precoce para o câncer. O resultado sai em minutos – e, claro, se for feito na farmácia, deve ser encaminhado ao médico do cliente. Além dos exames preventivos, que cuidados básicos devem ser tomados num programa de detecção precoce das doenças da próstata? “Se a história familiar está presente, é recomendável que, aos 45 anos, se inicie a prática da monitoração da próstata. Sem parentes de primeiro grau com a doença, a partir dos 50 anos. Não é complicado: uma consulta por ano, acompanhada por um exame de sangue para se medir o PSA e, fundamentalmente, o exame de toque da próstata. Cerca de 5% dos tumores de próstata podem não alterar o PSA – daí o complemento do toque”.

*As prateleiras das farmácias reúnem hoje os principais medicamentos capazes de reduzir o tamanho anormal da glândula – e com isso amenizar os efeitos nocivos de uma próstata gigante no inocente ato de urinar, em boa parte dos homens da terceira idade. Nesse caso, a qualidade de vida está em jogo. Recomenda-se aos farmacêuticos que busquem o máximo de informações sobre esses remédios, a fim de orientar seus clientes sobre o modo de usar e possíveis efeitos colaterais. A tontura pode ser um deles. A finasterida e o dutasterida reduzem o risco de retenção urinária aguda pelo crescimento excessivo – e a consequente necessidade de cirurgia redutora. São os chamados Inibidores da 5-alfa redutase.

*Já os chamados Alfa-bloqueantes (tansulosina, alfuzosina, doxazosina e a recente silodosina) promovem o relaxamento do músculo liso na parte inferior da bexiga, na próstata e em torno da uretra. Com isso, promove-se uma melhora da micção.

As farmácias podem realizar o teste de PSA.

*O que é mesmo o PSA? Sigla de “Prostate Specific Antigen”
Uma proteína produzida pela próstata que, quando encontrada no sangue em quantidade acima do normal, sugere uma anomalia na glândula, eventualmente um câncer. Não é um marcador perfeito, mas nenhum outro órgão tem um medidor bioquímico tão específico. Por isso, sua dosagem ainda é indispensável. Em homens abaixo de 60 anos com PSA acima de 2,5, pode ser um sinal. Na faixa dos 60 a 70, o PSA esperado é até 4 – mas deve-se levar em conta que a hiperplasia benigna também produz um pouco mais de PSA. Grosseiramente, cada 10 gramas de próstata produz um ponto de PSA. Um câncer, a cada 10 gramas, vai produzir três vezes mais. A farmácia pode se familiarizar com o comportamento dessa sigla característica da próstata e fazer um estoque bem estratégico de testes rápidos de PSA.

Novembro Azul: um raio-x da próstata

O câncer de próstata merece um mês inteiro? Claro. Trata-se do câncer mais incidente na população masculina, excluindo os tumores de pele não melanoma – e o segundo que mais mata homens no país. Isso reforça a urgência da conscientização e da informação. A idade é um dos principais fatores de risco: aproximadamente 75% dos diagnósticos ocorrem em homens com 65 anos ou mais. No entanto, também pesam na estatística a história familiar da doença, a etnia, homens negros e fatores relacionados ao estilo de vida, como sedentarismo, obesidade e alimentação rica em gorduras. A boa notícia é que, quando detectado precocemente, o câncer de próstata tem altas taxas de cura e pode ser tratado de forma eficaz, o que torna o diagnóstico precoce uma ferramenta fundamental na luta contra a doença – o principal objetivo do Novembro Azul.

O Ministério da Saúde recomenda que a decisão de realizar exames de rastreamento seja individualizada e tomada em conjunto com um profissional de saúde, levando em conta fatores de risco e o histórico pessoal de cada homem. O exame de sangue PSA e o toque retal, embora ainda cercados por tabus, são procedimentos simples e rápidos que ajudam a identificar alterações na próstata antes mesmo de surgirem sintomas. Quebrar o preconceito e falar abertamente sobre esses exames é um passo essencial para salvar vidas.

O Novembro Azul, portanto, vai além da cor e das campanhas: é um chamado à responsabilidade e ao autocuidado. Mais do que nunca, é preciso incentivar os homens a procurar o serviço de saúde com regularidade e a não esperar pelos sintomas para agir. No caso do câncer de próstata, há 90% de cura se o diagnóstico for feito no início da doença – em Novembro e nos demais meses do ano.

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