fbpx
Menopausa, reposição hormonal, câncer e autoestima
08 out, 2019
Cinco sinais que podem detectar o câncer de mama masculino
08 out, 2019

MEDQUÍMICA Sob nova direção

Com 40 anos de sólida presença no mercado brasileiro, a Medquímica Indústria Farmacêutica – com sede fabril na cidade de Juiz de Fora, MG – iniciou em 2015 uma nova e ainda mais produtiva fase em sua história, integrada ao Grupo Lupin, gigante indiano, e presidida por Ricardo Lourenço

Nesse ano, a Medquímica se tornou parte do Grupo Lupin, gigante global do segmento farmacêutico, com sede na Índia, atualmente a terceira maior farmacêutica indiana em vendas e a oitava maior empresa de genéricos do mundo. Desde então – com uma extensa linha de medicamentos sólidos e líquidos, de MIPs a produtos hospitalares – a empresa tem ampliado sua participação no mercado brasileiro, comandada por Ricardo Lourenço, um médico que se tornou um dos mais prestigiados executivos do mercado farmacêutico brasileiro. Hoje country manager, gerente geral, do Grupo Lupin no Brasil e presidente da Medquímica, ele falou à ABCFARMA.

Faça um resumo de sua jornada no mercado farmacêutico, até chegar à Medquímica.

Minha formação é médica, com especialização em terapia intensiva infantil. Logo depois de formado e especializado, fui trabalhar na área de medicina de grupo, de seguro saúde, onde conheci algumas pessoas do ambiente da indústria farmacêutica. Em 1999, comecei a trabalhar como gerente médico da Schering-Plough, uma joint venture entre a Schering multinacional e uma família brasileira. Trabalhei ali por dois anos, fazendo desenhos e protocolos de estudos clínicos e revisando material de marketing sob os olhos da legislação sanitária. A seguir, fui para uma empresa que à época se chamava Byk Química, com marcas bastante conhecidas no mercado, onde fiquei 10 anos e movi minha carreira para a área de estratégia – novos negócios, especificamente. Ali ocupei posições locais e globais. Em 2010, me transferi para outra multinacional, a Merck Sharp & Dohme, também na área de business development, onde desenhamos uma joint venture hoje bastante conhecida entre a Merck Sharp, a Cristália e a Eurofarma – a Supera RX, onde fui gestor por três anos, até me mudar para a Lupin, em 2015, com o desafio de fazer o start-up da empresa no Brasil. Nesse mesmo ano, o Grupo Lupin adquiriu a Medquímica – que venho gerindo desde então.

Como foi a chegada da poderosa Lupin ao Brasil?

A Lupin olhava para o Brasil há cerca de 10, 12 anos e avaliou algumas empresas no meio do caminho – mas acabou fechando com a Medquímica, uma empresa com uma plataforma industrial e comercial bastante interessante, alta capacidade produtiva, situação fiscal e regulatória adequadas e potencial de expansão de seu portfólio de produtos, à época com cerca de 30 moléculas. Em suma: uma empresa em ordem, com potencial de crescimento.

O que vocês pretendiam fazer com a Medquímica?

Em primeiro lugar, incluir novas normas para adequar a empresa aos padrões mundiais que a Lupin segue, expandir a capacidade produtiva e enriquecer a Medquímica com tudo o que a Lupin tem de pipeline interno na Índia e em outros países.

Como a Lupin se situa no fabuloso mercado farmacêutico indiano?

É a segunda maior empresa do país, líder no segmento de genéricos em vários países, a sexta maior no Japão, a quinta em genéricos de prescrição nos Estados Unidos. Nos últimos 15 anos, fez cerca de 15 aquisições de empresas em vários países.

E ela mantém os nomes das empresas adquiridas?

Depende do país. Nos Estados Unidos, por exemplo, ela existe com o nome de Lupin, pois ali começou do zero. Em outros países, como Brasil e México, mantemos o nome da empresa adquirida. Aqui, somos Medquímica, uma empresa do Grupo Lupin.

Do portfólio da Medquímica, quando vocês a adquiriram, quais eram os carros-chefe da marca?

Na época, ela já era líder em volume de alguns segmentos de genéricos – como a Dipimed, uma dipirona MIP, o Gliconil, nossa glibenclamida, na área de diabetes, e o captopril, na área de hipertensão, também líder de mercado.

Em 2015, a meta do Grupo Lupin era dobrar a produção até o ano de 2023. Isso está de pé?

Na verdade, já dobramos de tamanho. Crescemos 60% pós-aquisição, mas estamos vindo numa linha de crescimento de 22 a 23% nesses primeiros três anos. No ano passado, foi mais lento, mas este ano já estamos retomando – no primeiro trimestre, quase 35% de crescimento. Em cinco anos, nossa expectativa é crescer de três a cinco vezes a empresa que a gente comprou.

Quais são os segmentos de medicamentos em que a Medquímica mais aposta hoje?

O segmento de genéricos hoje é muito importante para a gente. E os MIPs são responsáveis por praticamente 35% das nossas vendas – como o Gastrogel, um antiácido, e Gripinew, antigripal, líderes em seus segmentos.

Para aumentar o portfólio da Medquímica, a Lupin pretende trazer produtos da Índia ou desenvolver aqui?

A Lupin é uma empresa bastante aberta, mas temos uma gama de projetos originários na India – e já no ano passado fizemos aqui um lançamento, o Pregabalina, genérico de prescrição para dor. Este ano, lançaremos um genérico inédito. Além disso, compramos uma empresa que produz MIPs, genéricos, alguns suplementos e similares. Mas estamos construindo um portfólio um tanto diferente. No ano passado, entramos na área de prescrição médica em dermatologia, com dois produtos exclusivos – Fillerina, um antiaging, e Recrexina, produto de fortalecimento e recrescimento de cabelo onde existem folículos viáveis. E, a partir de outubro, teremos 12 outros lançamentos na área de dermatologia. Embora o core da empresa tenha sido, historicamente, matérias-primas e depois genéricos, com várias aquisições estratégicas, em vários países, a Lupin está mudando um pouco o foco terapêutico da marca. No México, por exemplo,
o destaque é oftalmologia. Mas continua sendo uma empresa fundamentalmente indiana que, há pouco mais de uma década, está se recriando como empresa global. Não queremos estar em todos os lugares, mas, onde estivermos, queremos ser relevantes.

Por que o Brasil?

É o maior mercado da América Latina. Brasil e México são responsáveis por 60 a 70% do continente – e a Lupin está no Brasil e no México. A Lupin investiu aqui algumas dezenas de milhões de dólares em ampliação do parque fabril e em melhoria de critérios de qualidade para alinhamento com mercados internacionais.

A cidade de Juiz de Fora está historicamente relacionada à Medquímica. O parque fabril vai continuar ali?

Sem dúvida. Estamos muito bem estabelecidos e temos uma ótima relação com a cidade. Somos uma das grandes empresas de Juiz de Fora.

Quais são suas metas numéricas para os próximos anos?

Como eu disse, estamos prontos este ano para até 12 lançamentos na área de dermatologia e seis ou sete genéricos – entre eles, um inédito.

A Lupin é a maior produtora do mundo de medicamentos para tuberculose – doença que está “renascendo”, inclusive no Brasil. Algum lançamento em vista nessa área?

Isso já se reflete no Brasil. A Lupin Corporate tem um contrato de transferência de tecnologia, uma PDP (Parceria de Desenvolvimento Produtivo), com o governo brasileiro. Numa etapa inicial, enquanto essa transferência não se processa completamente, ainda fornecemos medicamentos prontos contra a tuberculose ao Ministério da Saúde – uma formulação que concentra os quatro medicamentos necessários num único comprimido, que a pessoa toma três vezes por dia, durante cinco a seis meses. Isso reduziu em muito o número de comprimidos necessários contra a doença. O processo de produção local está encaminhado, com a progressiva transferência de tecnologia.

Você mencionou um pequeno retrocesso no ano passado. O que o mercado farmacêutico pode esperar nos próximos anos?

O mercado, de fato, desacelerou. Mas temos alguns paradigmas muito importantes. A criação da Anvisa ajudou o país a melhorar muito a qualidade de seus medicamentos, os genéricos ampliaram o acesso da população, a execução das leis de patente ajudou a trazer inovação para o mercado farmacêutico e, sobretudo, o brasileiro aprendeu a se cuidar mais e absorveu essa cultura – daí a indústria farmacêutica continuar a ser mais resiliente, apesar da prolongada crise da economia. Isso nos traz uma perspectiva muito boa – mesmo porque, há hoje menos gente nascendo e mais gente amadurecendo, com uma necessidade maior de medicamentos para doenças crônicas. E, nos últimos três anos, com a crise se estendendo, o brasileiro, que sempre foi muito ligado em marcas, está migrando para os genéricos.

A área de Pesquisa e Desenvolvimento da Lupin vai chegar ao Brasil?

Sem dúvida. A Lupin adquiriu na Holanda um centro de desenvolvimento de medicamentos com base na nanotecnologia e criou outro centro, na Flórida, para a produção de inalatórios para tratamento da asma, bronquite, DPOC, etc. A Lupin tem um número grande de cientistas – cerca de 1200, uma parte na Índia, outra nesses centros internacionais. No Brasil já temos 20 pessoas em P&D. Somos hoje uma empresa cujo objetivo é oferecer medicamentos cada vez melhores para as populações dos países em que atuamos. q