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Transformação digital na indústria: saiba quais são as competências necessárias para surfar bem nessa onda

Indústria aposta alto em infraestrutura tecnológica, mas ainda precisa desenvolver os colaboradores para implementar a transformação digital completa

A Transformação Digital tem ganhado cada vez mais a atenção, principalmente da indústria. Só no período de 2018 a 2021 são esperados investimentos na casa de R$249,5 bilhões, em Big Data, Analytics, Inteligência Artificial e Segurança da Informação, segundo dados do 3º Seminário Brasscom Políticas Públicas & Negócios, de 2018. Com atenção especial para a Inteligência Artificial, que terá o maior crescimento das novas tecnologias nos próximos quatro anos, com projeção de 39% ao ano, com aportes de R$ 1,1 bilhão.

Grandes investimentos em tecnologia de ponta pedem mão de obra altamente qualificada para se alcançar os resultados esperados, pois não se trata somente de utilizar as novas tecnologias, mas sim, de saber aplicar a tecnologia de forma integrada e potencializada para extrair informação valiosa. Afinal, estamos vivendo a Era da Informação e essa é, atualmente, a grande riqueza de um negócio.

Atualmente, o conceito Indústria 4.0 sintetiza os principais elementos da transformação digital, que são: a internet das coisas, a inteligência artificial e a automatização. De acordo com a pesquisa do SENAI, “Desmistificando a Indústria 4.0”, desenvolver nos colaboradores as soft skills, ou seja, competências cognitivas e não só técnicas, deve ser uma das principais preocupações das empresas, pois trabalhar de forma colaborativa, com base nos relacionamentos interpessoais é primordial nesse contexto de transformação digital.

“A tecnologia é um aliado sem precedentes porém, a capacidade cognitiva e afetiva do ser humano é insubstituível e, cada vez mais, as relações interpessoais têm peso maior nas decisões e no sucesso da entrega final,” afirma Andrea Iorio, Chief Digital Officer da divisão de produtos profissionais da L’Oréal, e ex-Head LatAm do Tinder.

Por isso, é que a mão de obra precisa alinhar seu mindset para acompanhar a transformação digital na indústria. O especialista no tema transformação digital, Iorio, apresenta as 6 competências fundamentais que os líderes devem desenvolver juntamente à implementação da transformação digital na indústria.

1. Flexibilidade Cognitiva

A flexibilidade cognitiva é nossa capacidade de jogo de cintura em situações inesperadas. Ela também estimula a resiliência, que é a nossa capacidade de superar os percalços da vida, difíceis de aceitar e que podem nos derrubar. Essa competência transforma fracassos em um motor de motivação, capaz de gerar grandes mudanças – para melhor – em nós. A melhor forma de desenvolver essa capacidade é fazendo atividades fora da sua rotina e se desafiando em novos contextos, como por exemplo: estudando uma nova língua, tendo um novo hobby, fazendo um trabalho voluntário ou outras experiências que te façam vivenciar outras realidades.

2. Altruísmo digital

É certo que a tecnologia acabou por tornar as pessoas mais solitárias e, por vezes, atrapalha a real conexão humana. Mas, essa conexão, as relações humanas são bases essenciais para qualquer negócio, inclusive na indústria. A tecnologia entra aqui como um complemento à experiência humana, que tem como base a reciprocidade e a empatia. Por tanto o líder deve ter sempre como foco os relacionamentos e praticar a empatia.

3. Inovação incremental

Inovação não é necessariamente inventar algo novo, mas sim absorver conhecimento e aprimorar. É aquela coisa de estar sempre de olho na grama do vizinho e aproveitar os buracos. De acordo com o especialista, o jeito de fazer inovação hoje é incremental, mantendo elementos de familiaridade dos consumidores e acrescentando recursos. Ou seja otimizar processos, melhorar procedimentos já existentes.

4. Comportamento humano

Aprender cada vez mais sobre comportamento humano é primordial. É interessante pensar em variáveis, anotar as reações às novidades introduzidas e analisar os resultados. A parte psicológica é muito importante em qualquer processo. Neste caso, a observação e a escuta são fundamentais para entender melhor seu público.

5. Pensamento crítico

Pensamento crítico tem a ver com ‘não aceitar o status quo’, ou seja, não aceitar as coisas como são, simplesmente porque são desse jeito. Tenha sempre um olhar crítico e repense seus métodos e estratégias, veja se tudo está mesmo sendo feito para alcançar o seu objetivo final. Caso se trate de um processo já estabelecido na empresa em que você trabalha, sugira mudanças. Elas não virão se alguém não sair do que já está estabelecido.

6. Foco no resultado

O foco no resultado é importante para garantir uma melhora na qualidade do serviço. É igualmente importante, ter ao mesmo tempo uma visão horizontalizada e verticalizada, ou seja, do macro e do específico.

“O avanço da tecnologia não é mais linear, e sim exponencial. Isso representa enormes oportunidades de gerar valor com rapidez, mas, ao mesmo tempo, traz enormes desafios sobre nosso papel no mercado de trabalho, a maneira que absorvemos conhecimento e como lidamos com as pessoas”, observa Iorio.

Sobre Andrea Iorio

O palestrante, investidor e executivo Andrea Iorio nasceu em Genova, na Itália. É graduado em Economia pela Universidade Bocconi, em Milão (Itália), e possui mestrado em Relações Internacionais pela Universidade Johns Hopkins, em Washington (EUA). Como uma das maiores referências em transformação digital, Iorio tem larga experiência em empresas multinacionais de tecnologia. Sua última função por cinco anos foi como Head LatAm do Tinder, o mais relevante aplicativo de relacionamento do mundo – andreaiorio.com