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Slow Living: a troca do ritmo frenético por uma vida mais plena, produtiva e justa

*Por Dra. Marina von Zuben de Arruda Camargo 

 

Abril, 2021 – É fato e não é novidade: o Brasil é o país mais ansioso do mundo desde 2017. No entanto, a chegada da pandemia trouxe uma outra batalha que precisa ser driblada, e ela já tem nome: Coronafobia, uma ansiedade grave classificada como um medo extremo de contrair o vírus levando a sintomas excessivos de ordem física, psicológica e comportamental.

Se não bastasse isso, parece que as 24 horas do dia não dão conta do dia agitado, apesar de sermos multitarefas. Quantas vezes você tem a sensação de que está apenas passando pela vida sem vivê-la? Você não está sozinho. Isso não é algo isolado.

Não à toa, a síndrome de Burnout, caracterizada pelo alto nível de estresse, entrou, em 2019, para a Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS).  De acordo com a International Stress Management Association (ISMA-BR), o Brasil é o segundo país com o maior número de pessoas afetadas pela síndrome.

Pode parecer um beco sem saída tendo que lidar com tantas emoções e angústias, mas há, sim, uma luz no fim do túnel. A busca por uma vida mais leve e equilibrada se tornou uma questão de sobrevivência, por isso, tantas pessoas estão buscando que sua presença no mundo faça sentido. Com isso, o movimento Slow Living tem ganhado força com uma proposta de vida ambientalmente, socialmente, economicamente e culturalmente mais plena, justa e respeitosa.

O Slow Living, ou Vida Lenta em tradução livre, é um estilo de vida que surgiu na Itália, na década de 80, junto com o slow food, em contraposição ao fast food. O movimento propõe conectar-se com o presente, que prega mais autoconhecimento, bem-estar, saúde e respeito consigo mesmo e com o meio em que vive. É ter a mente e o coração abertos para uma vida e trabalho inspirados por valores simples e reais, sem piloto automático, excessos, ações compulsivas, ansiedade estresse. Tem como objetivo fazer enxergar que viver lentamente, não quer dizer ficar parado ou ser preguiçoso, mas, sim, revisar a nossa forma de relação com meio ambiente e a sociedade.

Estamos atravessando um momento difícil, de muitas incertezas causadas pela Covid-19, mas antes disso já vivíamos a glamourização do estresse, da vida multitarefas com prazos curtos, com um a dia a dia corrido e com responsabilidades incontáveis. Mas vale lembrar: fazer mais rápido nem sempre quer dizer fazer melhor, e é exatamente isso que o Slow Living propõe. Mas se existe alguma ligação boa que podemos tirar dessa pandemia é a percepção de que precisamos reduzir a velocidade, rever hábitos, para enfim, poder respirar.

Desconectar-se por mais tempo do celular, por exemplo, já um passo importantíssimo para o slow living. Dar uma pausa é extremamente saudável para os momentos das refeições para aproveitar melhor as conversas, as horas de lazer, e, principalmente, para ter noites de sono com mais tranquilidade.  E por falar em horas de sono, para quem é ansioso, estressado e tem dificuldade para dormir, uma ótima alternativa é a busca por tratamento fitoterápico para abrandar os quadros de ansiedade e prolongar o período de sono, fazendo uso, por exemplo, de Passiflora incarnata associada a Crataegus rhipidophylla e Salix alba L.  Esta associação de 3 extratos faz com que haja uma eficácia não somente no tratamento da insônia e ansiedade principalmente pela ação da Passiflora, mas também possibilitando o alívio das repercussões cardíacas da ansiedade, pela ação do Crataegus, como também o alívio das dores tensionais associadas aos quadros de ansiedade, pela ação do Salix.

Mas é claro que desacelerar não é tarefa simples, por isso, aqui vão mais a alguns caminhos básicos que podem ajudar nessa transformação:

– Buscar pelo autoconhecimento, entender o que de fato faz feliz, o que acalma e o que traz paz ao coração.

– Fazer uma coisa de cada vez e não ceder às pressões do dia a dia.

– Buscar por atividades que se conectem com a natureza, como a jardinagem, por exemplo.

– Fazer pausas durante o dia, contemplar a paisagem, ouvir a música preferida, fazer meditação, observar o espaço e as pessoas em volta com mais calma e atenção.

– Reavaliar as rotinas e descobrir o que não é prioridade.  Assim, você tomará decisões melhores e com mais tranquilidade;

– Reorganizar o tempo em família, pois valorizar o lar e os relacionamentos são atitudes indispensáveis para construir memórias inesquecíveis com quem você ama.

As mudanças não acontecem do dia para a noite, mas cada passo diário é uma grande vitória. O Movimento oferece um cenário em que temos abordagens mais acolhedoras e sustentáveis com os nossos corpos, vidas e com o planeta, contrapondo a supervalorização do ritmo frenético tão caro à sociedade moderna. Em suma, o principal ponto do Slow Living é encontrar seu melhor, e nesse processo, com toda certeza não só você será o beneficiado, como todos os que estão a sua volta.