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Linfoma: como suspeitar da doença?

A grande questão é que, de acordo com o Dr. Celso Massumoto, onco-hematologista e coordenador da Unidade de Transplantes de Medula Óssea do Hospital 9 de Julho, 20% dos pacientes que passam pelo seu consultório não sabem nada sobre a doença ou a conhecem com pouca profundidade. Para o médico, esse desconhecimento causa um retardo preocupante no diagnóstico que, consequentemente, reduz as chances de cura.

“Linfoma é um tumor que se instala em células do sangue chamadas linfócitos, também conhecidos como glóbulos brancos, que são responsáveis pela defesa do organismo. Essas células circulam em dois tipos de vasos do nosso corpo: o sanguíneo, que contém sangue; e o linfático, por onde passa a linfa, uma substância que é derivada do sangue e rica em proteínas”, explica o Dr. Massumoto.

O médico destaca que, dentro do nosso organismo encontram-se os linfonodos, pequenos órgãos que, na parte externa do nosso corpo, se apresentam como ínguas sempre que algo não vai bem com nossa saúde. “Dentro do nosso organismo, o linfonodo é a parte onde há a maior concentração dos linfócitos. Então, quando essa célula é acometida por um tumor, ela faz com que a íngua se apresente, mas com uma diferença: ela cresce progressivamente, de maneira lenta ou rápida, porém sem sinais de que reduzirá de tamanho. Isso caracteriza um linfoma”, detalha o especialista.

Existem mais de 60 tipos de doenças associadas a esse tumor e elas dividem-se entre os Linfomas Hodgkin e os Linfomas não-Hodgkin. A divisão foi feita para registrar os tipos que foram descobertos pelo médico inglês Thomas Hodgkin, daqueles que foram descobertos pelas mãos de outros profissionais. “Independentemente da classificação, porém, o mais importante é destacar que há um percentual de cura quando o diagnóstico é precoce. Por isso, é fundamental manter atenção aos sinais do corpo”, alerta o médico.

No Brasil, apenas em 2018 foram detectados mais de 12 mil casos de linfomas, sendo 2530 de Hodgkin e 10180 não Hodgkin, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Quando o diagnóstico é positivo, fica a cargo do hematologista decidir pelo melhor tratamento, considerando o tipo de tumor, a idade do paciente e o histórico de saúde que ele apresente.

A seguir, o Dr. Massumoto lista três boas práticas para identificar o linfoma:

-Fazer o autoexame – É importante criar o hábito de apalpar as regiões anterior e posterior do pescoço com a ponta dos dedos, além da supraclavicular, popularmente conhecida como saboneteira. As axilas e virilhas também merecem atenção. Ao menor sinal da detecção de ínguas, o médico deve ser comunicado. Ainda que não seja um linfoma, a íngua (linfonodo) está indicando que algo não vai bem no seu organismo e isso precisa ser tratado.

-Ter atenção à associação de sintomas – Se um linfonodo em tamanho aumentado, sem sinais de redução, for detectado juntamente com febre, fadiga, perda de peso sem motivo aparente e coceira no corpo, também é o caso de consultar um médico.

– Seguir as recomendações médicas – Caso o médico suspeite da presença de um linfoma no corpo do paciente, o protocolo é de que o diagnóstico seja dado apenas após a biópsia, que consiste na retirada de parte ou de todo o linfonodo, de maneira cirúrgica, para análise.

Por isso, é fundamental sentir o próprio corpo para acompanhar eventuais alterações. “Muitas doenças podem ser tratadas e curadas se descobertas no início”, finaliza o médico.