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Receita ilegível pode ser resolvida: entenda

Por: Celso Arnaldo Araujo

Legível e saudável

Já foi um problema mais frequente: receitas médicas escritas com garranchos não legíveis – que levavam os farmacêuticos à loucura ou a erros graves de dispensação por interpretações erradas. A falta de legibilidade em receitas, atestados e até prontuários de pacientes é tão comum que usamos a expressão “letra de médico” como sinônimo de caligrafia ruim.

Mas a célebre “letra de médico” pode ser resolvida pela chamada prescrição eletrônica – indispensável nos dias de hoje

A famosa “letra de médico” – às vezes tão ilegível que parece ter sido escrita em outra língua. Você, farmacêutico ou balconista, já deve ter ficado “paralisado” diante de muitas delas. O certo, nesses casos, é ligar para o médico, em busca da necessária “decifração” daqueles garranchos. Mas às vezes a farmácia tem de promover verdadeiras “reuniões de conselho” entre seus profissionais para chegar a uma conclusão aproximada sobre o que foi prescrito. Mas o pior é quando o profissional da farmácia interpreta a seu modo, que nem sempre é o certo. De acordo com estudos do KLAS (empresa britânica voltada à área da saúde e tecnologia), 68% dos erros relacionados à medicação ocorrem pela incompreensão da grafia prescrita no receituário. O problema pode ser tão grave quanto as infecções hospitalares – na forma de “infecções grafológicas”… Há teorias sobre a origem desse clássico da prescrição médica. Uma diz que, numa época em que não existiam laboratórios farmacêuticos, médicos faziam prescrições que só os boticários conseguiam decifrar. Com isso, evitavam que o paciente se arriscasse fazendo o próprio remédio. Outra sustenta que as aulas de medicina são muito puxadas – o que leva os alunos a anotar tudo às pressas, com garranchos que nem ele entenderá. E essa prática se estenderá para sua carreira de médico e para sua letra…Mas nada de folclore em torno disso. No Brasil, uma lei federal, uma portaria da ANVISA e o Código de Ética Médica exigem que as receitas sejam legíveis, elaboradas de forma clara e direta.

A principal menção a esse tema está no Artigo 11 da Resolução CFM 2.217/18 (Código de Ética Médica), vedando ao médico:

Receitar, atestar ou emitir laudos de forma secreta ou ilegível, sem a devida identificação de seu número de registro no Conselho Regional de Medicina da sua jurisdição, bem como assinar em branco folhas de receituários, atestados, laudos ou quaisquer outros documentos médicos.”

Claro e digital

Hoje para facilitar o processo de comunicação entre médicos prescritores e profissionais de farmácia, já há plataformas digitais para resolver o problema. A plataforma digital de receitas médicas da Memed, por exemplo, tem mais de 60 mil itens cadastrados, indicações, dosagens, orientações ao paciente, entre outros. A prescrição digital e inteligente facilita o cotidiano das farmácias – mas suas vantagens começam na ponta inicial do processo de prescrição/dispensação. Ao enviar suas receitas por WhatsApp ou SMS, ela fica salva no celular do paciente, evitando assim possíveis perdas e retornos desnecessários.

Acessando o programa, médicos são alertados, por exemplo, para medicamentos que estão descontinuados ou são apoiados, na tomada de decisão, com alertas de alergia e de interações medicamentosas, entre outras funcionalidades. Ao fim da consulta, o paciente também recebe uma cópia da receita digital em seu celular, via SMS, na qual ele pode pesquisar preços de remédios e localizar as drogarias mais próximas – criando, dessa forma, uma interação com o paciente que facilita a adesão ao tratamento.

Acidentes de leitura

Isso sem falar no principal objetivo do programa – aposentar a velha “letra de médico” que tantos ruídos de comunicação já causou. Receita médica não deve ser receita de bolo. Prescrições com escrita ilegível, ambíguas ou incompletas, contendo nomes de medicamentos com grafia ou som semelhantes, utilização de zeros de forma inadequada, pontos, decimais e abreviaturas estão frequentemente relacionadas a erros de medicação. Há alguns aos, um estudo promovido por estudantes do Rio Grande do Norte levou esses acidentes de leitura a uma situação cômica. Eles inventaram nomes de remédios e, de posse das respectivas receitas em garranchos, foram a farmácias do estado. Todas as receitas, de um modo ou de outro, foram atendidas – com este ou aquele medicamento. Ninguém perdeu a venda. Autores de outro estudo sobre erros de medicação, realizado em quatro hospitais universitários do Brasil, observaram que em três deles as abreviaturas foram utilizadas em mais de 80% das prescrições avaliadas. Em outra pesquisa, realizada em um hospital de Minas Gerais, foram identificados 70 diferentes tipos de abreviaturas nas 4.026 prescrições avaliadas, com um total de 133.956 ocorrências.

Um zero fora do lugar

E o problema, evidentemente, não se limita a abreviaturas. Os símbolos maior (>) e menor (<), por exemplo, podem ser facilmente confundidos entre si ou com letras e números. Nos números contendo casas decimais, a omissão do zero antes da vírgula (1 miligrama em vez de 0,1 miligrama) e o uso de zero após a vírgula para expressar números inteiros (5,0 miligramas em vez de 5 miligramas pode ser confundido com 50 miligramas se a vírgula ficar pouco evidente) também têm sido associados a erros de medicação. Embora o uso de abreviaturas seja mais frequente nas prescrições grafadas, elas também devem ser evitadas nas prescrições digitadas e informatizadas e nas etiquetas de identificação dos locais onde eles são armazenados.

Enfim, remédio é coisa séria – salva vidas, mas também pode comprometê-las caso seja ministrado de forma errada. O sucesso do tratamento começa pela prescrição clara e saudável.

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