fbpx
Para celebrar o Dia dos Pais, Sanofi incentiva Licença Parental estendida
12 ago, 2022
Centro Logístico Embu quer ser hub da indústria farmacêutica
16 ago, 2022

Índia: farmácia do mundo

Por: Celso Arnaldo Araujo

Na presença do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e do presidente da ANVISA, Antônio Barra Tores, uma delegação representando cerca de 50 gigantes da indústria farmacêutica indiana, a maior do mundo, reuniu-se em São Paulo com empresários brasileiros desse segmento para fortalecer nossa parceria. A ABCFARMA esteve presente, representando o varejo farmacêutico. Com quase 1,4 bilhão de habitantes, segundo país mais populoso do planeta, a Índia se tornou o maior fabricante de medicamentos do mundo – incluindo insumos farmacêuticos ativos, os IFAs, que são a base bioquímica de centenas de produtos. Durante a pandemia, a Índia deixou de fornecer 14 desses ativos – o que ocasionou a falta de inúmeros medicamentos. Mas agora, próximos da normalização, é hora de estreitar nossos laços comerciais num mercado tão vital. O Conselho de Promoção de Exportação de Produtos Farmacêuticos da Índia, o Pharmexcil, comandou o evento de alta relevância para o segmento.

Quem abriu a reunião, no dia 11 de agosto, no Hotel Transamérica-Berrini, foi Ravi Udaya Bhaskar, diretor geral do Pharmexcil e líder da delegação indiana ao Brasil, que faz um tour por quatro países sul-americanos: Colômbia, Bolívia, Peru e Brasil. Ele destacou a qualidade e a disponibilidade dos produtos farmacêuticos indianos, incentivando os empresários brasileiros a fortalecer nossas relações comerciais no pós-pandemia. Brasil e Índia têm um caminho de cooperação muito promissor a seguir. Na sequência, foi a vez do embaixador da Índia no Brasil, Suresh K. Reddy, destacar a importância dessas relações, convidando os empresários brasileiros, que ainda não o fizeram, a visitar a Índia e seu parque industrial farmacêutico. O Pharmexcil é a agência autorizada do governo da Índia para a promoção das exportações farmacêuticas do país. A proibição das exportações de 14 ingredientes ativos e suas formulações derivadas, incluindo vários antibióticos, a fim de imunizar seus 1,4 bilhão de habitantes, foi suspensa em 7 de abril – com algumas restrições.

Agora, além de buscar oportunidades de exportação, as empresas farmacêuticas indianas também esperam oportunidades de investimento para manufatura, joint ventures e colaborações. As oportunidades de fabricação por contrato e ensaios clínicos oferecem muitas oportunidades para empresas estrangeiras na Índia – e nossas empresas são particularmente bem qualificadas em termos de vigilância sanitária para qualquer parceria internacional.

Nossa independência

Em sua manifestação durante o encontro, o presidente da ANVISA, Antônio Barra Torres, começou destacando os 200 anos da independência do Brasil, a ser celebrados no próximo dia 7 de setembro, bem como os 75 anos da independência da Índia. “Ambos os países independentes e transparentes em matéria de vigilância sanitária. Transparência, sempre”. Segundo ele, o Brasil conseguiu superar os desafios de um país continental, com mais de 210 milhões de habitantes em mais de cinco mil municípios. “Em cada município existe pelo menos um posto de saúde. São 48 mil unidades básicas, 164 Centros de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde, os CIEV’s, 5.700 hospitais, numa gestão tripartite da saúde – União, estados e municípios”. E, segundo ele, o sistema foi fortalecido durante a pandemia – agora, com o sinal de alerta da Monkeypox. Claro, no campo da Vigilância Sanitária, há processos a serem ajustados – mas a ANVISA não tem a intenção de “baixar a rédea”, porque a prestação dos melhores serviços de saúde, incluindo a dispensação de medicamentos, exige o máximo rigor possível. Nesse contexto, destacou Barra Torres, as indústrias indianas são muito bem-vindas.

Um ministério comprometido com a qualidade

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, foi o próximo convidado a se apresentar – destacando que ter uma agência como a ANVISA é um estímulo para todos os players do mercado farmacêutico. E que as indústrias indianas são muito bem-vindas num cenário de “Open Health”, no sentido de ampliar a concorrência nos setores privado e público. Queiroga se disse interessado em conhecer de perto o mercado farmacêutico indiano, que tem muito a ver com o Brasil. “Estamos sempre diante de novos desafios. Só a coragem de países como Brasil e Índia para superá-los”. Ele prossegue: “Há 34 anos, tivemos a coragem de criar o SUS – e o compromisso com a dignidade da pessoa, através do direito fundamental à saúde”.

A força da indústria

Em seguida, foi a vez de Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos, expor o posicionamento do SINDUSFARMA diante da parceria Brasil-Índia. Ele lembra que seu sindicato vai completar 90 anos “fazendo saúde”. “Não discriminamos origem de capital. Empresas que trouxerem tecnologias, empregos e saúdes serão representadas pelo SINDUSFARMA, como 95% das indústrias brasileiras”. Ele ressaltou que a indústria e a ANVISA foram ágeis no trato da pandemia – juntas, com um exército de pessoas, a começar de motoristas de ambulâncias, salvaram milhares de vidas. E, dirigindo-se aos empresários indianos presentes. “Estamos tentando reduzir os impostos sobre os medicamentos para que os senhores e outros investidores venham para cá, com seu conhecimento”. E salientou a resiliência da indústria na pandemia: “Os fretes subiram até 10 vezes – com preços de medicamentos controlados”.

Indústria farmacêutica indiana: um colosso

A delegação indiana teve reuniões de negócios com os membros da ABIQUIFI (Associação Brasileira da Indústria de Ingredientes Farmacêuticos Ativos) e demais stakeholders da indústria farmacêutica brasileira, durante os dois dias de evento. Devido à sua capacidade de fornecer medicamentos eficazes e de qualidade a preços acessíveis, a Índia é reconhecida mundialmente como a “Farmácia do Mundo” e exporta medicamentos para mais de 200 países. A indústria farmacêutica indiana ganhou força ao integrar toda a cadeia de produção, dos IFAs até as formas de dosagem final – genéricos, biológicos e vacinas. Sua indústria farmacêutica é avaliada em mais de US$ 50 bilhões. E o país abriga o maior número de instalações aprovadas pelo FDA fora dos EUA – tem 30% de suas exportações atendendo aos EUA e quase 55% de suas exportações totais são para mercados regulamentados. A Índia tem oito de seus fabricantes de medicamentos genéricos entre os 25 maiores fabricantes globais. Enfim, o Brasil é o maior parceiro comercial da Índia na América Latina e foi o 6º maior destino de exportação durante o ano fiscal 2021-22 – US$580,8 milhões de dólares e 11% de crescimento sobre o período anterior. Mas ainda há um enorme potencial de crescimento.

WhatsApp
LinkedIn
Share
Instagram