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17 de novembro: Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata

Prostate Cancer Awareness. Doctor man holding light Blue Ribbon for supporting people living and illness. Men Healthcare and World cancer day concept

Novembro Azul: A vez da próstata

Se Outubro Rosa destaca a importância vital do diagnóstico precoce do câncer de mama, Novembro Azul é o mês da próstata – glândula exclusivamente masculina que é também um problema de saúde pública. A cada hora, sete homens recebem o diagnóstico de câncer de próstata no Brasil – de acordo com o Instituto Nacional do Câncer. São quase 70 mil casos por ano. E a doença, em geral de baixa malignidade, ainda mata cerca de 20% dos pacientes – quase sempre porque o tumor não foi detectado a tempo. E poderia sê-lo, com visitas regulares ao urologista – que a campanha deste mês procura estimular. Eis o que recomenda a Sociedade Brasileira de Urologia.

Ok, ainda persiste o preconceito de uma parte dos homens: consulta com o urologista inclui, necessariamente, o “temível” toque de próstata. Mas isso está mudando –a principal razão para a “fuga” do exame é paradoxal, segundo os especialistas: “Hoje em dia, não é mais o preconceito com o exame da próstata que afasta o homem do consultório médico, mas o medo de ser diagnosticado com a doença”, afirma o ex-presidente da SBU, Dr. Sebastião José Westphal, urologista em Itajaí, Santa Catarina. Mas ele destaca que, com a evolução do conhecimento sobre a doença, hoje há menos motivos para esse receio. Diz o Dr. Westphal. “Atualmente existem tratamentos conservadores indicados em casos de tumores de próstata de baixa agressividade, nos quais não iremos realizar nenhum procedimento – apenas acompanhar a evolução da doença com exames periódicos”. Isso, é claro, não exime o homem de conhecer sua próstata – do tamanho de uma castanha e localizada abaixo da bexiga, é uma glândula de cerca de 20 gramas que produz o liquido seminal para transporte de espermatozoides e que começa a dar trabalho justamente na idade masculina em que, do ponto de vista reprodutivo, já não se torna metabolicamente útil. Esse “trabalho” se dá de duas formas: um crescimento benigno da próstata, a chamada HPB, que pode causar um tremendo desconforto no homem, pela dificuldade crescente de urinar. Nesse caso, a farmácia pode ajudar, com medicamentos – como a união entre dutasterida e tansulosina – que “enxugam” a próstata. E um processo maligno: o câncer de próstata, objeto da campanha Novembro Azul. Há uma terceira patologia: a prostatite, inflamação da glândula que pode ser causada por infecção bacteriana.

Quando dar atenção a ela?
A recomendação da Sociedade Brasileira de Urologia é que homens a partir de 50 anos procurem um especialista, para avaliação individualizada – e repitam a consulta a cada ano. Indivíduos de raça negra ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata, que têm maior risco para a doença, devem começar a prospecção aos 45 anos.

Benigna X Maligna
A citada HPB – Hiperplasia Prostática Benigna – pode atingir cerca de 50% dos homens acima de 50 anos e provoca aumento da frequência urinária diurna, diminuição da força e do calibre do jato urinário, demora para iniciar a micção, sensação de urgência para urinar, entre outros sintomas. O câncer, por sua vez, não costuma apresentar sintomas em fases iniciais, quando em 90% dos casos pode ser curado – o que reforça ainda mais a importância da detecção precoce. Ao apresentar sintomas – dor óssea, dor ao urinar, presença de sangue na urina – cerca de 95% dos tumores já estão em fase avançada, dificultando a cura.

Exames específicos
A análise da próstata é feita pela dosagem do PSA no sangue juntamente com o exame de toque. “Um exame não exclui o outro, visto que é possível ter PSA aumentado e não ter a doença ou tê-lo normal e ter a doença. O PSA também pode aumentar no caso de prostatite e HPB – e há casos em que ele não se altera mesmo com o câncer em curso”, explica o coordenador do Novembro Azul 2018, Dr. Geraldo Faria. Cerca de 20% dos pacientes com câncer de próstata são diagnosticados somente pela alteração no toque retal – que permite ao médico avaliar alterações da glândula, como endurecimento e presença de nódulos suspeitos. A única forma de garantir a cura do câncer de próstata é o diagnóstico precoce. Mesmo na ausência de sintomas, homens a partir dos 45 anos com fatores de risco, ou 50 anos sem esses fatores, devem ir ao urologista.

O tratamento
A indicação da melhor forma de tratamento para o câncer de próstata vai depender de vários aspectos – como estado de saúde do paciente, estágio da doença e expectativa de vida. Em casos de tumores de baixa agressividade, há a opção da vigilância ativa, na qual periodicamente se faz um monitoramento da evolução da doença intervindo se houver progressão. Cirurgia, radioterapia e hormonioterapia são as opções atualmente disponíveis – e a escolha para cada paciente depende de uma série de fatores.

Atenção: os caprichos do PSA

Quando se iniciou na prática clínica, há mais de 20 anos, o PSA (antígeno prostático específico) passou a ser considerado o marcador definitivo do câncer de próstata. Acima de determinada contagem, era indicativo de câncer. Mas, com o tempo, constatou-se que, Isoladamente, o PSA elevado não significa necessariamente que o indivíduo tem câncer de próstata ou que tem um câncer que evoluiria de forma agressiva. Por isso, fazer ou não fazer o exame do PSA passa pelo questionamento de que poderia significar um excesso de diagnósticos em pacientes que não precisariam necessariamente ser tratados. Por outro lado, é importante lembrar que o sucesso do tratamento do câncer está diretamente relacionado com a detecção precoce da doença – e que aguardar por sintomas pode diminuir as chances de cura, uma vez que, especialmente no câncer de próstata, estes ocorrem apenas quando a doença já se encontra em estágio avançado. Sim, a próstata é caprichosa.

Mas aqui vale o toque: o Novembro Azul é um aliado incondicional do homem.