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Quando os dentes caem, a auto-estima pode subir

O passar dos anos influi decisivamente na saúde dental? A Dra. Maria Luiza Frigerio, que coordena o Programa Envelhecer Sorrindo e é professora do  departamento de Prótese da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP), tira as principais dúvidas sobre a melhor dentição na terceira idade.

QUAIS AS PRINCIPAIS MUDANÇAS NOS DENTES DE UM IDOSO?

O dente é uma estrutura mineral que sofre a ação de agentes internos e externos. Por isso, devemos encarar o processo de envelhecimento dele como uma realidade. Os agentes internos podem ser medicamentos, como ansiolíticos utilizados para dormir, que diminuem o fluxo salivar. Quando isso ocorre, não só a quantidade de saliva se reduz, como também as imunoglobulinas e o cálcio responsável pela constante mineralização do esmalte do dente. Já os agentes externos são a alimentação ácida, mais abrasiva ou rica em açúcar, higienização inadequada, entre outros fatores. Com a idade, muitas pessoas tendem a mudar a forma com que se alimentam e, em alguns casos, preferem comidas mais pastosas, que favorecem formação de tártaro, pois aderem à placa bacteriana. O ideal seria ingerir alimentos que atuem limpando também os dentes, como maçã e cenoura. Para manter a saúde bucal, é necessário que se intensifique o uso de fio dental, escovas interditais, bochechos e irrigador oral. Sem esses cuidados, a gengiva pode retrair, deixando mais exposto o colo dos dentes. Além disso, é importante visitar o dentista duas vezes ao ano.

É COMUM VER IDOSOS QUE USAM DENTADURA. ELA PRECISA SER TROCADA A QUE INTERVALO?

As pessoas muito idosas costumavam usar próteses totais, pois viveram uma fase em que a Odontologia não era tão desenvolvida e não se conhecia muito bem o processo de prevenção. Atualmente, a maior parte das pessoas idosas usam próteses parciais fixas ou removíveis. Elas devem ser usadas de maneira adequada, ou seja, lembrar que não nascemos com elas e, por esse motivo, devem ser constantemente revisadas. Não existe um prazo de validade. O bom senso acima de tudo! Não existe nenhum outro meio capaz de manter a saúde bucal além da constante vigilância.

A CONTRIBUIÇÃO DA PRÓTESE DENTÁRIA PARA A AUTOESTIMA DO IDOSO – Dra. Maria Carolina Oliveira, dentista graduada pela USP

A contribuição da prótese dentária, além da sua função principal, que é substituir a dentição, devolve a autoestima para o paciente. Muitos que não recorrem a essa ajuda passam a se isolar e evitam qualquer convívio social. A perda total dos dentes, o chamado edentulismo, afeta 3% da população mundial, sendo também marcadora da desigualdade social. As consequências são prejuízo na mastigação, na digestão, na fonação e, é claro, na estética – o que favorece o desenvolvimento de distúrbios psicológicos e causa impacto negativo na qualidade de vida. Perda de dentes anteriores tem maior impacto em atividades sociais. Já a perda dos dentes posteriores afeta mais os domínios funcionais, como comer e falar. O paciente, nesse caso, são introvertidos e sentem-se envergonhados.

O uso da prótese adequada reverte esse quadro. E, possibilita uma adaptação segura e com poucas mudanças nos hábitos alimentares. Muitas vezes, o idoso sem dentes naturais não sorri e tampouco fala, parece uma pessoa brava. Depois da instalação da prótese, a mudança é instantânea. O primeiro traço que reaparece é o sorriso. Poder sorrir com segurança e mastigar os alimentos é fundamental para que o indivíduo seja saudável. E, principalmente, tenha qualidade de vida.

Claro que nem sempre é fácil e rápido. Desconfortos podem surgir e requerem adaptações – um processo que pode ser doloroso porque, com o passar da idade, a salivação diminui. O que pode ser feito, nesses casos, é apostar na saliva artificial. E ouvir o paciente para identificar o que o atrapalha. O cuidado com a higienização continua importante – em caso de prótese removível, que tem grampos de apoio, podem ocorrer cáries se o paciente não tiver o cuidado de higienizar, usar o fio dental, fazer escovação e limpá-la corretamente. Hoje, no mercado, há dois tipos de próteses mais recomentadas: a prótese removível com grampo metálico e a prótese removível com silicone flexível – esta maleável e bem mais natural. Independentemente da escolha, o paciente tem que retornar ao dentista a cada seis meses. Às vezes, os grampos metálicos têm que ser mais apertados para firmar, e a cada cinco anos, pelo menos, é necessário trocar essas próteses.