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Expectativa de um ano bom – Nelson Mussolini

Em entrevista à mais recente edição da Revista ABCFARMA, o presidente executivo do Sindusfarma, Nelson Mussolini, faz um balanço de como foi o ano de 2018 para a indústria farmacêutica e também traça as perspectivas para o ciclo que se inicia com a chegada de um novo ano.

A diretoria encabeçada por Omilton Visconde Jr. foi eleita em dezembro para dirigir o Sindusfarma/Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no triênio 2019-2021. A entidade acaba de ampliar sua base territorial para Estados que não possuem representação patronal da indústria farmacêutica – e hoje reúne nada menos que 355 indústrias como associadas. “Estamos modernizando e legitimando nossas atribuições”, disse, após a mudança estatutária, Nelson Mussolini.

Como foi o ano de 2018 para a indústria farmacêutica?
Devemos crescer 9% em valores e 5% em unidades – o que demonstra que a indústria continua performando bem quando se fala em faturamento. Feitas as contas, provavelmente nossa lucratividade vai cair, por conta de dois fatores muito importantes este ano: o primeiro, um dólar bem acima do projetado, R$ 3,50, contra R$ 3,90 do dólar médio ao longo do ano, o que é um problema para a indústria, pois 95% dos nossos insumos ainda são importados. E também tivemos vários relatos de associados em relação a reajustes nos preços de matérias-primas em dólar. Isso é agravado por um problema caracteristicamente brasileiro: se eu tenho um fornecedor de ativos cadastrados na Anvisa, não posso trocar por outro sem fazer todos os testes demonstrando que ele tem as mesmas características técnicas de confiabilidade sanitária. Isso dá às atuais empresas fornecedoras uma semi-exclusividade de mercado. Com base na responsabilidade da indústria, estamos conversando com a Anvisa no sentido de podermos trocar nossos fornecedores por um valor de negociação. Hoje, gasta-se uma montanha de dinheiro para fazer todos os testes exigidos pela Anvisa – e, mais do que isso, gasta-se muito tempo, o que acaba levando a indústria a aceitar os aumentos dos atuais fornecedores.

Um parêntesis: como tem sido a relação da indústria com a Anvisa, através do Sindusfarma?
Nos últimos anos, temos tido um bom relacionamento com a Anvisa, tanto com o presidente como com seus diretores. De todas as agências, a Anvisa é que tem uma melhor diretoria do ponto de vista técnico, que sabe o que está fazendo. Tivemos um diálogo muito bom com o presidente Jarbas e, agora, com o presidente William Dib, com quem já tínhamos contato quando era diretor da agência. Aliás, fomos a primeira entidade a ser recebida por ele como presidente, que é um gestor com larga experiência no setor – foi secretário da Saúde, prefeito e deputado federal. Já há algum tempo, vemos na Anvisa uma grande vontade de acertar. No passado, nossa primeira preocupação era a Anvisa, a segunda era a Anvisa, a terceira era a Anvisa e a quarta eram os prazos da Anvisa… Agora, ainda temos um olhar para a Anvisa, porque os processos de escolha dos diretores das agências regulatórias têm que seguir um padrão mais profissional do que político. E percebemos que as indicações têm um viés técnico bom.

Qual é a principal reivindicação do Sindusfarma junto à Anvisa hoje?
Sem dúvida nenhuma, precisamos ter uma clareza maior sobre para onde a Anvisa quer conduzir sua atuação na área da saúde. Não pode ser só regulatório. Vivemos batendo na tecla de que precisamos, no Brasil, um pós-mercado mais efetivo do que um pós-registro de produto. A exemplo de outras agências reguladoras, a Anvisa tem que ir ao mercado para checar se o que está no papel é o que está na caixinha. Isso tem que ser modernizado dentro da agência. Ainda existe muita burocracia. Um dos maiores problemas que a agência tem hoje é sua seção de informática, que precisa de melhorias. As petições eletrônicas não funcionam, sua informática ficou obsoleta. Mas há uma perspectiva de o presidente William Dib ajustar isso. Em suma, a Anvisa deixou de ser nossa maior preocupação. Mas ainda temos uma preocupação muito grande com o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), que não funciona. Isso expõe a indústria ao risco de lançar um produto e, mais tarde, alguém alegar que ele não tem patente. O órgão precisa ter independência financeira – e isso seria resolvido se o dinheiro que a indústria paga pelos registros de patentes ficasse lá dentro. A gente espera que os novos gestores da economia se deem conta de que isso trava o desenvolvimento e a inovação do país. O Brasil é um dos países que têm mais papel e menos patentes. Nossa “burocracia” é terrível.

E o Ministério da Saúde?
Acho que é cedo para definirmos a postura dos novos gestores da saúde pública, mas se você analisar a postura geral do governo – prometendo desburocratização, melhora dos gastos, ampliação dos serviços – acho que há uma lógica de postura que pode beneficiar o setor.

Bem, a indústria vai seguir produzindo, independentemente do novo governo. Aliás, há farmácias abrindo em cada esquina aqui em São Paulo…
Acho que isso vai produzir algumas mexidas no varejo. Você percorre hoje a Avenida Cidade Jardim, que tem poucos quarteirões, e passa por quatro farmácias grandes. Isso transmite uma ideia de crescimento desenfreado do mercado, mas há algum tempo a gente enfrentava fila no caixa das farmácias. Hoje, não mais – algo está acontecendo. O mercado está se pulverizando. A renda média de cada nova loja vai ser inferior à das atuais. E a indústria é afetada pela pressão das redes para reduzir ainda mais seus preços. Mas estamos no limite. Com a pressão de custos de produção, fica difícil satisfazer a expectativa do varejo.

Como será 2019 para o mercado?
Tudo indica que teremos crescimento econômico este ano. Já tivemos 750 mil novos empregos no ano passado, apesar dos sérios problemas que enfrentamos. Se conseguirmos mais dois milhões de empregos, nosso setor, automaticamente, ganha com isso, pois as pessoas empregadas passam a se tratar melhor. A expectativa é de um ano bom. Mas, repito, com sérias pressões de custo. Seremos ainda pressionados para reduzir preços para atender a todas as farmácias. Para isso ser viável, ou se reduzem, por exemplo, os dividendos dos diretores das indústrias e outros custos ou se sacrificam investimentos. Como, numa espiral de crescimento, não se sacrificam investimentos, será preciso reduzir custos.