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A presença feminina nas farmácias brasileiras – Dia da Mulher

8 de março

 

O Dia de Vera Wolf

Hoje elas são maioria nas farmácias – a partir mesmo das faculdades, onde elas predominam nas salas de aula, que formam novas profissionais para as 80 mil farmácias brasileiras. E isso se deve a mulheres como Vera Wolf, farmacêutica responsável pelo sucesso da Pharmacia Viver, na cidade de Indaiatuba, interior de São Paulo – onde está à frente de uma equipe majoritariamente feminina e presta um atendimento de primeira, fidelizando seus clientes pela atenção dispensada juntamente com as embalagens de medicamentos. Através de Vera, a ABCFARMA saúda e festeja o Dia Internacional da Mulher

A cidade de Indaiatuba, a pouco mais de cem quilômetros de São Paulo, tem 200 mil habitantes – e dezenas de farmácias, inclusive de rede. Mas a Pharmacia Viver é muito especial. Vera está à frente do negócio e do atendimento – e isso diferencia a Viver. A loja tem clientes tão fiéis que, pela frequência de visitas, ela sabe o que cada um costuma comprar – e isso facilita o atendimento farmacêutico. “Para mim, fidelização é uma questão de confiança e qualidade de atendimento. Vai além de descontos. Hoje atendo pelo menos três gerações de famílias – e isso me dá muito orgulho e isso não é possível sem um trabalho sério, personalizado e de muita dedicação. Fidelização para mim é pele a pele, olho no olho”. Da quarta geração de um grupo de imigrantes suíços de diversas famílias que emigraram para o Brasil e participaram da fundação da Colônia de Helvetia, em Indaiatuba, Vera começou a atuar aos 18 anos no mundo da farmácia – pelo qual se apaixonaria perdidamente. Tinha acabado de se formar como técnica de enfermagem e o convite para trabalhar na tradicionalíssima farmácia Candelária, fundada em 1893 por Francisco Xavier da Costa, mais conhecido como Chiquinho, veio de sua tia Geni, viúva do farmacêutico João Walsh Costa, o Jango. A Candelária, farmácia com o perfil clássico das velhas boticas, notabilizara-se pela atuação junto aos flagelados da epidemia de febre amarela que assolou a região em 1899 – atraindo à cidade uma comissão de médicos notáveis, como o célebre infectologista Emílio Ribas. Chiquinho foi então responsável pela manipulação de milhares de fórmulas para reduzir os efeitos da doença, num trabalho ininterrupto de dois meses – numa cidade então sem hospital. “Tenho até hoje o livro em que estão anotados os nomes dos que receberam esses medicamentos – uma preciosidade de imenso valor afetivo e histórico”. Na Candelária, Vera começou por onde se começava – limpeza da loja, atendimento de balcão, lavagem e esterilização de seringas de vidro. “Eu lia as bulas à noite, em casa, com paixão pelos fármacos. E comecei a ajudar a fazer fórmulas, apaixonada por aquela alquimia”.

Atendimento X atenção

Dando um salto na história, Vera abriria sua própria farmácia – e se formaria no curso de Farmácia na Universidade Paulista, em Campinas. Durante um período, ela fora trabalhar numa multinacional como enfermeira do trabalho. “Fiquei ali quatro anos, mas sonhava com medicamentos e pessoas. Voltei e abri minha própria drogaria”. Móveis oriundos da Candelária deram ao local um clima vintage irresistível. Já com o diploma, tornou-se também a farmacêutica responsável da loja. Por que escolheu o varejo e não a indústria? Ela resume: “Gosto de gente. Isso me possibilita fazer o que amo: conversar, cuidar, conhecer o histórico de saúde de meus pacientes. Coloco neles um pouco de meus avós, meus irmãos, meus pais. Isso me motiva diariamente. Não me vejo longe disso”.  Ela admite: não é fácil. “Temos que ter dom e paixão pelo que fazemos. Ofereço um atendimento personalizado, sei o nome de todos os pacientes, o histórico de saúde de cada um – quem é alérgico a quê, por exemplo”. Ao mesmo tempo, ela precisa cuidar dos bastidores legais e sanitários da casa. “A farmácia de hoje tem uma estrutura muito complexa. Somos obrigados a atender às exigências da Vigilância, da Anvisa e até da Polícia Federal, com controle absoluto dos processos. O farmacêutico de hoje precisa ser multifuncional para dar conta de tudo isso”. E, para Vera, há uma “agravante”: ela também comanda uma farmácia de manipulação. “Isso dobra os processos envolvidos, pois fazemos testes diários de matérias-primas e temos que ser permanentemente criteriosos para escolher as melhores opções para meus clientes. Nossa equipe trabalha de forma harmoniosa, atendendo às necessidades das pessoas com qualidade e muita responsabilidade. É o que meus clientes merecem”.

Atenção total

Se os responsáveis pelas grandes farmácias das capitais ainda têm dúvida sobre o que podem oferecer na prática aos clientes quando se fala no hoje indispensável, mas pouco praticado, “atendimento farmacêutico”, Vera já se convenceu. Ela tem uma sala, dentro da Pharma Viver, só para isso. “Pego o receituário e, quando a pessoa me dá oportunidade e se sente à vontade para me questionar, a primeira coisa que faço é uma anamnese – oriento sobre os medicamentos contínuos, interações medicamentosas, horários adequados para cada produto. Quando é necessário, entro em contato com o prescritor, para eventualmente mudar alguma coisa no receituário e adequá-lo melhor ao paciente. Tiro a pressão arterial e a temperatura, quando solicitado ou necessário, e faço aplicação de injetáveis”. Ela observa que esse tipo de atendimento farmacêutico é especialmente requisitado pelos clientes idosos – que geralmente fazem uso de uma polifarmácia e nem sempre se lembram ou têm oportunidade de falar com o médico sobre detalhes de sua receita. Por isso, segundo Vera, esses pacientes merecem, além de atendimento, atenção farmacêutica diferenciada. Por isso voltam sempre. Vera e sua farmácia passam a fazer parte de sua vida.

Cobrar ou não?

E um velho dilema: cobrar ou não pela assistência extra?”Não cobro – simplesmente faço. Ele poderia ir a qualquer outro lugar, mas veio aqui. E é uma orientação, não uma consulta”. Vera aproveita para fazer um desabafo: “Nos dias de hoje, por uma série de razões, o farmacêutico em geral não orienta mais os clientes. Ele pode e deve fazer muito mais do que dispensar uma receita. Perdemos a essência”. Ela vai além: “Não existe farmácia sem farmacêutico – e farmacêutico sem conhecimentos profundos em farmacologia. Somos responsáveis por acompanhar todos os processos numa farmácia, numa indústria, num hospital, somos preparados para isso. Estudamos propriedades medicinais, características químicas dos fármacos, absorção, ação, efeitos colaterais. Não há como haver uma farmácia sem farmacêutico”.

Farmácia, gênero feminino

Ok, O Dia Internacional da Mulher, celebrado globalmente dia 8 de março, é uma data a ser lembrada – particularmente pelas mulheres, que há três décadas eram apenas coadjuvantes, e raras, no mundo da farmácia. Hoje, são majoritárias tanto nas faculdades da especialidade quanto no varejo – para só ficar com um dos segmentos da especialidade. Mas, como frisa Vera, não basta ser mulher – tem que fazer a diferença, através do exercício de predicados que só são postos à vista e à prova se a profissional se impuser. Diz Vera: “Temos algumas habilidades mais desenvolvidas, como sensibilidade, delicadeza e empatia e, me desculpem, um cérebro multifuncional, comprovado cientificamente. Esses são os fatores responsáveis por essa reviravolta da mulher nos ambientes de trabalho”.

E, é claro, qualidades pessoais também fazem a diferença. “Sempre fui muito independente, sempre me impus. É fundamental ter postura – mas sem arbitrariedades. Muitos funcionários se aposentaram aqui – aliás, sempre fui abençoada com ótimos funcionários. Os que saíram não perderam contato”.

E, não à toa, com esse espírito assistencial que cativa os clientes, a Pharmacia Viver – nome que  surgiu da feliz fusão entre as primeiras sílabas de seu nome e o de uma sócia, a contadora Vilma – é uma das atrações comerciais do urbanamente agradável bairro Cidade Nova, a quarteirões do centro de Indaiatuba.

E, por falar em espírito assistencial, destaque-se também o notável trabalho de Vera à frente de uma ONG que cuida de cães (atualmente com 50) e gatos (13) abandonados e maltratados. Não é um projeto para estimular a adoção – mas para cuidar dos bichinhos. Numa palavra, para “fidelizá-los”.

Com o mesmo amor que Vera Wolf dedica à sua farmácia e a seus clientes.